segunda-feira, 12 de abril de 2010
No Correio Braziliense: "Redução da jornada vai ficar para depois"
Notícia publicada pelo Correio Braziliense em 10 de abril de 2010. "A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, está em rota de atrito com dois de seus principais suportes na campanha em busca do Palácio do Planalto. Alimentou a polêmica com o PMDB sobre a dobradinha com o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB). E não pretende encampar a proposta das 40 horas semanais de trabalho, principal bandeira de reivindicação das centrais sindicais.Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma reúne-se hoje com representantes de seis entidades sindicais, entre as quais a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, em São Bernardo do Campo (SP), berço político do PT. Cerca de 800 sindicalistas foram convidados para debater qualificação profissional e apresentar a pauta de reivindicação, encabeçada pela redução da jornada de trabalho."A jornada de 40 horas é uma questão constitucional e não cabe ao governo ou ao candidato apresentá-la como plataforma. Cada um tem uma visão sobre o tema. Não dá para firmar um compromisso porque essa é uma questão do Congresso Nacional", disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Há um cuidado em não se indispor com o empresariado, que rejeita a redução em quatro horas sem uma contrapartida.O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), tentou, sem sucesso, um acordo. Cotado para ser vice de Dilma, o peemedebista propôs uma diminuição progressiva nos próximos anos, com uma queda também na contribuição previdenciária dos patrões. "Nós até aceitamos fazer algo escalonado, mas com vantagem para o patronato, nem pensar", disse o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, que participa do evento de hoje. Dutra rebateu dizendo ser necessário as centrais flexibilizarem suas posições.O compromisso mais forte que Dilma pretende assumir com os sindicalistas é sobre políticas de qualificação profissional, tema colocado como uma das prioridades. A petista evitou tratar o evento em São Bernardo do Campo como uma provocação ao lançamento da candidatura de José Serra, hoje, em Brasília. Disse ser "absolutamente legítimo o PSDB lançar o candidato".Voto duploA ministra também tentou consertar a polêmica sobre "Dilmasia" ou "Anastadilma", um apelido para o voto duplo em Dilma Rousseff e o governador Antonio Anastasia, em recente visita a Minas Gerais. Disse não haver nenhum desconforto com Hélio Costa, pré-candidato do PMDB ao governo mineiro. Sustentou, porém, que não se pode forçar o voto do eleitor. "Ninguém pode ser autoritário a ponto de dizer o que o eleitor deve fazer", afirmou ontem.Para fazer um afago em Costa, pregou um entendimento entre o PT e o PMDB mineiros. "Não só espero, como desejo e apelo", disse. Por Lula, Patrus Ananias e Fernando Pimentel desistiriam da contenda para apoiar o peemedebista. "O Hélio entendeu e até brincou comigo, dizendo que qualquer dia iriam perguntar para ele sobre o Serrélio", afirmou, em referência a dobradinha com José Serra. Dilma dedicou-se ontem a uma agenda internacional. Primeiro reuniu-se com o presidente do Chile, Sebastian Piñera, depois encontrou-se com a política francesa do Partido Socialista Ségolène Royal.
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